Tema foi consenso na Rio +20 e entre os prefeitos do C 40 que se responsabilizam em reduzir a emissão 1 bilhão de toneladas de CO2 até 2030.
ADAMO BAZANI – CBN
Não foi desta vez que os representantes das nações se comprometeram de verdade com um futuro melhor, reduzindo as emissões de poluição e estimulando um crescimento que não coloque em risco a disponibilidade dos bens naturais para as próximas gerações.
Neste aspecto, a Rio + 20, Conferência das Nações Unidades sobre Desenvolvimento Sustentável, pode ser considerada um fiasco. E a desculpa que a crise econômica mundial, com foco hoje na Europa, teria desanimado os líderes das nações não cola. Quando o assunto é colocar a mão no bolso ou transferir tecnologia para os países mais pobres, as nações mais prósperas nunca mostraram grande disposição.
É certo que nações extremamente pobres não são interessantes para as potências econômicas, que precisam vender seus produtos e especular por câmbio e juros. Mas o enriquecimento dos países pobres não pode “ser caro demais” para as potências.
No entanto, a Rio +20 não pode também ser considerada uma perda total.
O setor empresarial foi destaque. Muito mais que governos, empreendedores estipularam metas e colocaram suas ideias de tecnologia e sistemas em prol de um futuro melhor.
Eles fizeram isso só em nome da vida e da natureza? Claro que não! Empreendedor quer lucro. E que mal há nisso, se esse lucro trouxer desenvolvimento, oportunidades, gerar riqueza sem agredir o meio ambiente?
É uma visão capitalista? Sim, mas se não conseguimos nem mudar um documento sobre meio ambiente, que foi apresentado às nações na conferência, não é o regime que vamos mudar.
Nos empreendimentos tecnológicos, o Brasil mostrou que não deve às nações mais ricas quando o assunto é solução em transportes. Houve propostas de ônibus com formas de tração limpas por parte de filiais de multinacionais, mas com tecnologia e produtos desenvolvidos aqui, de empresas tipicamente nacionais, como a Eletra (que faz sistemas elétricos para ônibus) e de instituições de pesquisa e ensino, como a UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, que apresentou projeto de um trem que levita, o MagLev e um ônibus a hidrogênio, que solta vapor d´água em vez de fumaça preta, bem mais barato e com maior autonomia, que os modelos já conhecidos.
Os transportes coletivos, em especial dos de tecnologia limpa, são vistos por governos, ambientalistas, empreendedores, especialistas, ONGs e sociedade em geral como uma das muitas atitudes que devem ser intensificadas para um presente e um futuro melhores.
Isso fica claro num dos únicos compromissos por parte de poder público com meta definida, apresentados pelo C 40, grupo que reúne os prefeitos das principais metrópoles em todo o mundo. Apesar do nome C 40, hoje o grupo conta com representantes de 59 cidades. Eles se comprometerem a reduzir em até 1 bilhão de toneladas a emissão de CO2, gás carbônico, até 2030.
Ônibus elétrico híbrido em Nova Iorque. A Rio +20 trouxe poucos compromissos concretos para as reduções de emissão de poluentes em todo do mundo. No entanto, a atuação da iniciativa privada e das instituições de ensino e pesquisa, com soluções cada vez mais modernas e acessíveis, e a postura do C 40, grupo das maiores cidades do mundo, em se comprometer a reduzir em 1 bilhão de toneladas a emissão de gás carbônico, chamaram a atenção. Nos dois casos, tanto em relação às propostas de empreendedores e pesquisadores como ao comprometimento do C 40, um dos destaques foram os transportes coletivos. O líder do C 40, o prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, classificou os transportes públicos como um dos pilares para um futuro melhor.
Estas metrópoles foram responsáveis por 14% das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo. O problema, no entanto, pode ser resolvido pelo poder municipal. Segundo o C 40, as prefeituras podem controlar 75% destas emissões.
O prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, líder do C 40 disse que existem alguns pilares a serem fortalecidos para que não só a meta de deixar de produzir 1 bilhão de toneladas de gás carbônico até 2030 seja cumprida, mas para que os impactos sobre a natureza sejam constantemente menores.
Entre estes pilares destacados está o incentivo e o aprimoramento dos transportes públicos. Para o dirigente, os transportes públicos tiram os veículos de passeio das ruas, reduzindo o excesso de carros que é responsável por boa parte da poluição atmosférica.
Ele defende o aperfeiçoamento e ganho de escala de produção de veículos com tecnologia limpa, como metrô e ônibus que funcionam com formas de tração independentes do petróleo. E o prefeito diz que tem feito a lição de casa. Em Nova Iorque, prestam serviços cerca de 2 mil ônibus elétricos híbridos.
Os ônibus operam com dois motores, um a combustão e outro a eletricidade. O motor a combustão funciona em alguns momentos da operação e gera energia para baterias que alimentam o motor elétrico. A energia gerada nas frenagens também é aproveitada.
A solução novaiorquina é bem conhecida no Brasil. A Eletra, de São Bernardo do Campo, foi responsável entre 1996 e 1997 pela circulação comercial do primeiro veículo deste tipo no Corredor ABD, que liga a zona Sul à zona Leste de São Paulo, passando por municípios do ABC Paulista, operado pela Metra. A empresa também desenvolve trólebus, ônibus elétricos que não emitem nada de poluição do ar na operação, mais modernos, e até chega a exportar. A Volvo também anunciou um ônibus elétrico híbrido, apresentado na Rio +20. A cidade de Curitiba terá 60 unidades, sendo as trinta primeiras entre agosto e setembro.
Dentro do compromisso do C 40 em reduzir a emissão de gás carbônico, está o investimento em transportes públicos.
Os moradores não só destas cidades, mas de todo o planeta, esperam que o discurso se torne uma prática. Atualmente, as 59 cidades que integram o C 40 possuem 544 milhões de habitantes, 8% da população mundial, mas produzem 20% do PIB de todo o mundo, o que significa US$ 13 trilhões.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Nenhum comentário:
Postar um comentário