Na
semana passada, o prefeito Carlito Merss, declarou que era favorável ao
plano de recuperação da Busscar, o que causou descontentamento entre os
cerca de 5 mil trabalhadores que têm a receber da empresa de
encarroçamento. Atualmente, pouco mais de 800 pessoas ainda têm vínculo
com a Busscar. Boa parte dos funcionários se desligou em busca de outras
ocupações.
A
empresa teve oportunidade no dia 31 de outubro do ano passado de
apresentar uma proposta de recuperação com acompanhamento da Justiça. O
plano, no entanto, não foi bem visto por diversos credores, entre eles
os trabalhadores, que decidiram rejeitar as propostas. Entre os pontos
mais polêmicos estão a compatibilidade do plano com a realidade do
mercado e os descontos sobre os débitos propostos pela Busscar. A
empresa que foi fundada em 1949 pela família Nielson foi uma das maiores
fabricantes de ônibus do País disputando expressivas parcelas de
mercado, inclusive a liderança, com outras empresas de grande porte como
Caio e Marcopolo.
A
companhia prevê para este ano receita de R$ 335, 6 milhões e produção
de 1,8 mil carrocerias. A Busscar conta com um programa de incentivo à
exportação de ônibus para a Guatemala financiado pela BNDES - Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico Social. O BNDES liberaria cerca de
R$ 400 milhões à diversas empresas encarroçadoras, sendo que R$ 140
milhões para a Busscar. Mas o plano ainda não saiu do papel.
Alguns
credores também ainda não foram convencidos de que a empresa conseguirá
produzir as 1,8 mil unidades este ano. Até o início deste mês de maio,
foram feitas cerca de 100 unidades. A empresa não divulgou o número
preciso de carrocerias produzidas. Mas o ponto que mais tem provocado
reações negativas ao plano é o que prevê descontos sobre as dívidas da
Busscar. Estes descontos variam de 5% a 95% dependendo do tipo do débito
e do credor. Para os trabalhadores que teriam descontos no que devem
receber, os abatimentos seriam entre 7% e 37%m segundo as diretrizes do
plano.
Na
semana passada, representantes da Busscar estiveram reunidos com o
prefeito de Joinville, Carlito Merss, que fez declarações positivas
sobre o plano de recuperação. "O problema é que o pessoal da Busscar
só mostrou um lado do plano. Quando falaram em descontos de débitos para
os trabalhadores, informaram que só iam descontar multas e outros
pontos de menor relevância, o que não é verdade. Os descontos não podem
ser feitos e como são colocados no plano englobariam direitos que são
garantias do trabalhador, como o aviso prévio de desligados" - disse à reportagem do Blog Ponto de Ônibus, o presidente do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, Evangeslista dos Santos.
Caso
o plano seja rejeitado na Assembleia Geral dos Credores, que deve ser
realizada nos dias 22 de maio e 29 de maio, a Justiça pode até decretar a
falência da Busscar. "Nós não queremos o fechamento da empresa e nem
sua falência, mas os trabalhadores não podem pagar para isso não
ocorrer. Queremos discutir um plano que realmente seja bom para todos os
lados." - disse Evangelista. Bancos e outros credores também não se
mostraram favoráveis ao plano. Alguns deles têm se reunido para
elaborar alternativas. "Essas soluções e propostas chegando ao
sindicato, certamente serão estudadas. O fato é que 2 anos sem receber
salários e direitos trabalhistas deixa qualquer trabalhador apreensivo.
Mas o que é devido tem de ser pago de maneira correta. Não é porque os
trabalhadores precisam voltar a receber que se deve aceitar a redução do
que é devido a eles" - complementou o líder sindical.
Hoje a produção na Busscar está em ritmo mais lento do que era esperado. Se o plano for aprovado, a empresa teria cerca de 60 dias para absorver os cerca de 800 trabalhadores que ainda fazem parte da encarroçadora. A fábrica alega que em 2008 sentiu a crise econômica mundial de restrição ao crédito e que boa parte de seus planejamentos dependiam de financiamentos que foram reduzidos.
Já
os críticos da empresa dizem que a Busscar apresentava problemas
administrativos e por isso, diferentemente de outras companhias, não
resistiu à crise. A situação, na visão destes analistas, ainda seria
reflexo de outro momento financeiro difícil vivido pela Busscar entre
2001 e 2004, quando a empresa precisou de auxílio do BNDES - Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Quanto ao encontro nesta
segunda-feira com o prefeito de Joinville, Carlito Merss, o presidente
do Sindicato dos Mecânicos, Evangelista dos Santos, disse que o chefe do
executivo vai reconsiderar sua posição e que se sensibilizou com a
situação dos trabalhadores.



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