Em
que tipo de cidade queremos viver? Segundo o especialista em
planejamento e mobilidade urbana e diretor da C40 (órgão internacional
que reúne os prefeitos das principais cidades do mundo), Adalberto Maluf
Filho, não se pode pensar em mobilidade sem falar sobre uso de solo,
integrando planejamento, meio ambiente e transporte eficiente de massa.
Para o especialista o sistema de ônibus em via exclusiva, como o
implantado no corredor ABD, tem inúmeras vantagens sobre a solução do
monotrilho com o mesmo atendimento da demanda e um custo operacional
muito inferior.
O
especialista participou ontem (26) do seminário “Transporte Coletivo:
Sustentabilidade, Mobilidade e Saúde”, organizado pela Metra, empresa
que opera o Corredor Metropolitano de Ônibus ABD, e a Eletra, empresa
brasileira que desenvolve tecnologia de tração elétrica para ônibus
urbano, em São Bernardo do Campo.
Monotrilho versus BRT
Maluf
Filho falou sobre as diferenças entre os modais Metrô, Monotrilho e BRT
(Bus Rapid Transit ou ônibus de velocidade rápida). Explicou que o
Metrô é um transporte de massa para altos volumes de passageiros
(superior a 50 mil por hora), e que a demanda de passageiros destinada
às novas linhas de monotrilho poderiam ser atendidas por sistemas de
BRT, como em várias cidades do mundo: Bogotá, Cidade do México,
Curitiba, em 12 províncias chinesas entre outros exemplos.
As
grandes cidades, segundo Maluf Filho, tendem a optar por corredores de
ônibus, devido à sua funcionalidade (que permite a integração com o
espaço público), ao baixo custo na construção de vias exclusivas e ao
baixo impacto ambiental, no caso dos ônibus de tração elétrica ou
híbrida. “Mais de quatro mil ações sendo feitas nas cidades da C40
Cidades que estão evoluindo e apostando no corredor de ônibus", disse o
especialista.
Maluf
citou como exemplo a cidade de Bogotá (Colômbia) onde em duas faixas
exclusivas os ônibus de trânsito rápido levam 35 mil pessoas/hora
enquanto em outras cinco faixas, os carros levam apenas sete mil
pessoas/hora. Na China as autoridades deixaram projetos de monotrilho em
favor dos corredores de BRT usando a experiência de técnicos
brasileiros. Na província de Ghuangzou o sistema atende até 45 mil
passageiros/hora nos horários de pico, demanda equivalente a suportada
pelo metrô.
O
especialista em planejamento e mobilidade urbana considera importante a
integração do transporte de massa com ciclovias, corredores exclusivos e
metrô e reforçou que as melhores cidades do mundo privilegiam o sistema
de transporte coletivo em detrimento do individual. Tomou como exemplo
negativo as cidades Turim, na Itália, invadida por carros, e Seattle,
nos EUA, que tem espaço destinado apenas aos automóveis, com baixa
integração das pessoas no espaço público. Disse que ao contrário dessas
duas, Nova York se reinventou com espaços de convivência, ruas completas
com calçadas, proteção ao pedestre, sinalização, ciclovias e integração
do espaço público. Disse que em São Paulo 82% das pessoas vão ao metrô
de ônibus e que em Londres 76% das pessoas utilizam o ônibus nos
deslocamentos. Na opinião de Maluf, o cenário ideal para uma cidade como
São Paulo é que um sistema eficiente de BRT´s abasteça estações de
metrô com linhas troncais, de forma integrada.
Exemplo de eficiência no corredor ABD
A
solução apontada por Adalberto Maluf Filho pode tomar como exemplo o
corredor metropolitano ABD, construído na década de 80, e há 15 anos
operado pela Metra, com índice de satisfação de 80% segundo pesquisa
feita com seus usuários.
Construído
sobre vias segregadas, o corredor ABD tem extensão de 33 quilômetros e
liga as zonas leste e sul de São Paulo, passando pelas de Diadema, São
Bernardo do Campo, Santo André e Mauá. Circulam mensalmente pelo
sistema, cerca de 7,5 de passageiros, em 13 linhas operadas, contando
com 110 pontos de parada e 10 terminais.
Mobilidade, sustentabilidade e saúde
Participaram
do seminário, além de Adalberto Maluf Filho, Vitor Seravalli,
especialista em Desenvolvimento Sustentável e presidente do Comitê
Brasileiro do Pacto Global da ONU; Paulo Saldiva, médico coordenador do
Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP) e
os convidados Adriano Murgel Branco (ex-secretário de Transportes do
Estado de São Paulo) e Oscar Silveira Campos, secretário de Transportes e
Vias Públicas de São Bernardo do Campo.
O
Seminário é organizado no mês da celebração do Dia Mundial do Meio
Ambiente, bem como da realização da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável Rio+20, no Rio de Janeiro.
Informações: Casa da Notícia
Fonte: Meu Transporte


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