Fonte: Inbus Transport e Feabus1
Edição e complementação: JC Barboza
A trajetória pioneira de Augusto e
Eugênio Nielson não difere dos grandes e ilustres nomes que fizeram e
fazem a história ligada ao transporte e o rodoviarismo nacional.
Como todo começo, apenas um longínquo
tempo, alicerçado num imenso sonho que dia após dia, gerou como natureza
própria à marca Nielson - sinônimo do ônibus transformado
posteriormente na marca Busscar.
A Maneabilidade da marcenaria foi o começo de tudo
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| Augusto Nielson |
O empreendimento era simples (razão
social de Nielson & Irmão), mas foi com as mãos na madeira que os
irmãos Nielson iniciaram na metade da década de 40 na construção de
móveis, utensílios e alguns reparos em veículos automotores (como
carrocerias de caminhões e cabines). Surge então a confecção de uma
tradicional jardineira (primórdios do ônibus moderno) acreditada por um
pequeno empreendedor joinvillense que se instalava para explorar (ainda
que rudimentar) o serviço de transporte local (entre lama, chuva, poeira
e na bagagem a persistência): era a empresa de Abílio Bello & Cia.
Ltda. (que percorria até a distância de Guaratuba, SC sempre partindo de
Joinville).
A partir daí tudo mudou...
Os tempos de guerra foram decisivos para
o país "se virar" com soluções caseiras, engenhocas e muito trabalho -
aos irmãos Nielson não seria diferente como no restante brasileiro. Vem a
onda do crescimento expectativo - apareceram os importados, fábricas
"cravam estacas" do desenvolvimento industrial (já existia nesta época
Ford, GM, Scania, Mercedes-Benz, entre outras) e os Nielson não ficam
atrás, carrocerias e mais carrocerias (agora no comando do patriarca
Bruno e seu filho Harold - era a Nielson & Cia. Ltda.).
Em 1958 aparece com o projeto de
estruturação metálica e contempla a chegada da próxima década com 15
ônibus/ano. Dois anos mais tarde, aporta na região mais desenvolvida do
Brasil: Mogi das Cruzes com a Eroles Turismo que conhece e recebe o
"Diplomata", carroceria que tinha dois níveis - lembravam em muito os
Flexible americanos - a Nielson ganha o universo do ônibus.
O tempo de acelerar: o Brasil reconhece a soberania da marca
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| Harold Nielson |
Até aqueles tempos de indefinição
política que assolou o país (1964) o mercado nacional pouco comprou
ônibus para as empresas da época. Harold, filho do mestre Bruno, já
acompanha fielmente os passos do empreendedorismo, e sem vacilar coloca a
Nielson na "rota do progresso". Ganhou-se a copa do mundo (1970) e a
encarroçadora forneceu ônibus para o país todo (segundo a Fabus foram
136 unidades em 1971), a empresa vem consolidando marcas, e as
carrocerias de Joinville tornam-se públicas pelas empresas de transporte
coletivo do país. Das serras catarinenses para o "além Atlântico" a
encarroçadora não poupou esforços.
Ganhou "asas" para a exportação ocorrida
em 1977 com pouco mais de 15% de unidades produzidas e livremente os
mercados da América Latina, Oriente Médio e outras localidades foram
conhecendo com muita simpatia, o verdadeiro "Diplomata". No final dos
anos 70, vem a versão articulada do rodoviário. Com a entrada da Volvo
no setor de chassi de ônibus no país, a Nielson implanta parcerias como a
com a Viação Garcia.
Frotistas de todo o Brasil respeitam "esses catarinenses" como a Gontijo - maior frota da marca utilizada em uma única empresa e gradativamente novos e mais clientes vão incorporando em suas garagens "os grandalhões" da Nielson (como a Expresso Brasileiro de São Paulo).
Com janelas inclinadas, laterais
frisadas e "ondas como o mar", nesta enfâse dada ao conhecido e popular
modelo 7 quedas que eram em número de sete diferenças sobre o teto do
carro, alusivo as setes quedas do iguaçi no Paraná. Com tamanha
transformação nos modernos ônibus, tem na produção de fibra
termosplástica as subsidiárias Tecnofibras e Rovel. A Nielson põe em
prática a fábrica 2 (Joinvillense como matriz).
Anos 80, a Nielson fazendo a sua própria história...
"DEUS é fiel" (versículo bíblico
inserido no livro de Samuel) as bençãos recaíram para Harold Nielson -
de expressão forte, de sustentação e alicerce a cada palavra dirigida, a
empresa que leva seu sobrenome te afinco na determinação deste
dirigente que alavancou como seus próprios braços á energia que já foi a
Busscar com 1172 ônibus prontos para circular pelas ruas e rodovias em
1981.
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| Diplomata 310 |
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| Diplomata 350 |
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| Diplomata 380 |
Para otimizar a produção em ganhos reais de tempo funda a HVR - um braço forte da empresa que tinha como meta a instalação de eixos. O início dos anos 80, o universo brasileiros dos ônibus foi alcançado por grandes picos industriais e quatro anos mais tarde, mostra para seus clientes e aos mais admiradores da encarroçadora o seu primeiro "high-deck" (Diplomata 380) - gigante como o seu próprio nome estrelado.
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| Urbanus I |
Mas grandes surpresas estavam por vir...
Anos 90: Para dar a volta por cima, novos tempos, novos ônibus.
Harold Nielson e sua empresa preparam
uma recepção para o mercado de ônibus: apresentação da nova família
Busscar em 1990 (Busscar passa a ser o novo nome - "Buss" ônibus em
sueco + car de carroceria) com a inédita série Elbuss 320 e 340 e
Jumbuss 340, 360 e o top 380 - com forte design e linhas que realçaram
ainda mais as estrelas do seu novo logo.
O Urbanus também recebe um ajuste de
linhas - agora mais harmonioso. Nacionalmente o segmento ônibus abraça
os produtos originários de Joinville - a linha Jumbuss espalha-se por
todos os quadrantes... El Buss completa a lista. A tecnologia
incorporada não é apenas no visual marcante, as carrocerias foram
designadas por projetos específicos da mais alta engenharia desenvolvida
com recursos sofisticados da era computadorizada.
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| Jumbuss 400 Panorâmico |
A evolução prossegue durante o ano de
1994: considerado a maior área envidraçada em relação aos similares, a
empresa apresenta seu primeiro ônibus de vidro colado - o Jumbuss T. Em
1995 lança o Jumbuss 400 Panorâmico - tornando-se o ideal para viagens
rodoviárias de dois ambientes com supremacia aliada ao máximo do
conforto e segurança. Na rota turística e no serviço seletivo, o
Panorâmico surpreende a qualquer usuário pelos fortes itens opcionais
selecionados para atender os clientes deste importante segmento.
| Urbanuss Pluss |
Um ano mais tarde, acompanhando a
tendência imposta pelo setor, surge o Mid bus e amplia uma fatia
especial para os percursos entre trechos posicionados nas cidades e
fretados: nasce o interbus. O Urbanus recebe agora a versão estilizada e
de custo diferenciado para os clientes: o moderno Pluss.
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| Acidente de avião que vitimou Harold Nielson |
O domínio por novas investidas
tecnológicas não impede os desafios da fábrica de ônibus. O cotidiano e a
vida interrompem de forma questionada os desígnios daqueles punhos de
aço: Harold Nielson faz escrever para toda história sua trajetória e
experiência á frente dos negócios e como parte de uma página da
humanidade interrompe bruscamente os planos determinados para o futuro,
isso em 1998. Abalada, a encarroçadora subitamente é administrada pela
segunda geração da família Nielson e severas estratégias são decisivas
para o novo caminhar.
Os novos design's - A Busscar faz diferença pelos roteiros do Brasil
| Elbuss 320 |
Acompanhando um processo de modernização
nas linhas rodoviária e urbana , a proposta para 2002 é o resultado
obtido com fortes traços e arrojado design: novos faróis dispostos na
dianteira e traseira marcante com lanternas envolventes na linha Elbuss
320, 340 e Jumbuss 340, 360, 380 e 400. Para os ágeis micro-ônibus, a
Busscar em parceria com a Mercedes-Benz trás o microbuss - menor modelo
da família montado sobre o tradicional chassi Sprinter. O Mini micruss e
o Micruss - oferta garantida para o transporte rápido das grandes
cidades e deslocamentos de curtas distâncias urbanas e complementares.
No fretamento e translado exclusivos, os menores ônibus da Busscar
oferecem poltronas softs, versatilidades e aplicações positivas para
transportes diferenciados.
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| Micruss - foto: Alex Azevedo |
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| Mini Micruss |
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| Micro Buss |
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| Panorâmico DD |
No ano seguinte como proposta para
transporte de passageiros seletivos, apresenta o Vissta Buss HI e LO -
uma gama de carrocerias que privilegiando rotas rodoviárias com serviços
distintos como fretados e linha turismo alto luxo. O Panorâmico DD e o
Jumbuss 400 são destacados para receber chassis da competente indústria
nacional nas versões 6X2 e 8X2 - sofisticação máxima em matéria do
principal condutor de passageiros coletivos.
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| Vissta Buss HI |
Com um leque de opções, a Busscar integra seus produtos nas mais renomadas e importantes frotas de ônibus do país (exemplos como São Geraldo, Itapemirim, Gontijo, Jardinense, Nordeste e empresas sólidas do segmento). Balançada pelos constantes temporais econômicos e riscos dos negócios comerciais que o próprio país abocanhou (juros altos e períodos cíclicos do dólar), a Busscar é acometida por nervosos dias em sua produção industrial.
Celebrando seis décadas na fabricação exclusiva de ônibus
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| Urbanuss Ecoss |
A Busscar é o sinônimo maior de todas as
dificuldades. Com total credibilidade e apostando fielmente na condução
de novos empreendimentos, a fabricante de carrocerias vai superando
todas as fases e gradativamente recupera seu alicerce. Em 2005 com um
novo portifólio, lança um novo desenho da carroceria para o fretamento e
transporte de curtas distâncias (Interbuss) e a reestilização da linha
Elbuss 320 e 340 - também com destaques a suavidade do design com a
qualidade incorporada aos demais modelos da própria fábrica. Com a
retomada das transações comerciais e o impulso agressivo da estabilidade
econômica que o Brasil vive, a encarroçadora planeja novos planos com
ênfase maior a exportação e estruturação a rede de representantes em
território nacional. Para contemplar esta importante passagem das seis
décadas produtivas em ônibus a marca apresenta o novo Urbanuss Ecoss.
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| Miduss |
Crise
A
crise na encarroçadora realmente deixou uma lacuna em aberto na
produção de ônibus do Brasil, era ou é uma empresa de qualidade
excepcional, os materiais utilizados são de boa procedência, design
moderno e evoluido, tanto que um Vissta Buss Elegance 360 é tão atual
quanto um Irizar PB ou um Paradiso G7, que foram lançados depois. Aliado
a isso a Busscar possui um enorme Know-How na produção de carrocerias,
experiência que foi adquirida atráves dos anos e nos grandes
investimentos em tecnologia.Quando a crise começou pensava-se que fosse apenas especulação ou que fosse algo bem de leve, infelizmente a crise piorou e a empresa parou quase que totalmente a sua produção, vários pais de famílias foram demitidos sem salários e ou garantias trabalhistas. A bola de neve foi aumentando cada vez mais e está tudo muito velado, a Busscar não informa nada nem para o sindicato nem para os funcionários, isso realmente preocupa a todos e deixa os frotistas sem expectativas.
Pelo o que parece toda essa crise começou lá atrás, com a morte do Sr.Nielson que era o gestor da empresa e foi assumida pelos filhos, então quase como via de regra nesses casos, a Busscar entrou em decadência após a entrada de uma empresa de consultoria na administração da encarroçadora. É complicado chegar a uma conclusão certeira sobre o que realmente aconteceu com a empresa, se foi negligência dos herdeiros, se foi as sucessivas crises mundiais ou até mesmo uma situação adversa que acabou causando tudo isso.
Quem
mais foi prejudicado nessa situação foram os operários, o chão de
fábrica; porque o alto escalão da empresa foram para outras
encarroçadoras que precisavam da qualidade da Busscar para inovar e
conquistar novos mercados, enquanto isso pensamos nos pais de família
que estão a mais de 14 meses sem salários e sem nenhuma posição oficial
da empresa sobre o fato.
Em breve teremos mais notícias sobre a encarroçadora já que o julgamento foi marcado para o dia 06/07, a Busscar afirma que já tem um novo parceiro para entrar numa nova fase e alguns carros já começaram a sair da linha de produção, mas como sempre nada foi revelado a opnoão pública. Esperamos que voltemos a falar da Busscar aqui e que seja pela sua volta por cima e apresentação de novos modelos, esperamos sinceramente que a empresa se recupere e volte com a sua qualidade, ela vai ter que suar, mas ficamos na expectativa de ver ela de novo batendo de frente com a Marcopolo.
































Um triste fim para uma das melhores empresas de Joinville, e certamente a melhor encarroçadora do Brasil.
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